Moda e tecnologia: a era das roupas inteligentes

Em diversas culturas e ao longo do tempo a vestimenta foi metamorfoseando-se e adquirindo características únicas e intrínsecas aos tempos à qual pertence. A priori, como sabemos, as roupas nos protegem, envolvem nossos corpos para que não estejamos vulneráveis às variações ao nosso redor. Mas, além disso, têm finalidade estética, social, comunicacional e até ritualística.

modaetec1

Filme Ex Machina (2015)

Mas hoje, no século XXI, qual caminho a moda está seguindo? De um lado, o consumo desenfreado de roupas fast-fashion, do outro, funde-se à ciência para criar tecnologias vestíveis. Os corpos modernos, em completas transmutações – sejam em virtude de alimentos geneticamente modificados, infinitos remédios ou ideais estéticos –, encontram nesta relação moda-tecnologia a possibilidade de um futuro onde o que vestimos, interagindo com nosso organismo (e aliado às nossas necessidades), definirá nossas relações e sentidos com o ecossistema.

modatec2

Parceria entre a Puma e o estilista Hussein Chalayan (2011), um dos pioneiros em unir alta tecnologia com moda

Para reforçar a tendência, o tema do próximo Met Gala – evento que angaria fundos para o Metropolitan Museum of Art‘s Costume Institute (museu dedicado a exposições de vestuário, em Nova York) no qual há um suntuoso baile com o mesmo tema da exposição que o procede – será Manus x Machina: Fashion in an Age of Technology (Mãos X Máquina: Moda na Era da Tecnologia, em tradução livre).

“Os wearables, nome em inglês para os dispositivos vestíveis, estão fazendo muitos desenvolvedores olharem a moda com outros olhos, não só para atrair um público diferente dos geeks do Vale do Silício, como também para aprimorar e refinar seus produtos cada vez mais, tornando-os atraentes e tão indispensáveis no dia a dia quanto, digamos, um sapato”, conta-nos Luiza Medeiros em seu artigo sobre Tecnologias Vestíveis. Vestir algo que interaja com você, mas que possibilite concomitantemente sua interação com as coisas ao redor é a meta.

modatec3

Primavera/Verão 2015 da Iris van Herpen

Já imaginou trocar a música do seu smartphone simplesmente deslizando a mão pela roupa? Ou, ainda, acender/apagar a luz de um cômodo com o mesmo comando? A proposta deste tecido conectado – que pode ser usado para confeccionar qualquer peça de vestuário – é conhecida como Projeto Jacquard, da gigante Google. Quando se fala em moda e tecnologia, um dos expoentes máximos é a estilista holandesa Iris van Herpen. A designer de moda possui em seu time de criação uma equipe de programadores que passam o dia em computadores estudando formas de transformar suas ideias em criações tangíveis. Muitos elementos são obtidos através de impressoras 3D, outros, tão artesanais quanto, compreendem acabamentos cortados e costurados à mão, num trabalho minucioso que envolve horas de dedicação.

Se antes os autômatos de filmes como Eu, robô e Ex Machina nos assustavam, hoje me parece que não estamos muito longe de nos transformarmos – nós mesmos – em máquinas ambulantes…